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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Autêntica



"Impossível falar em autenticidade sem lembrar de Maysa." 


Em 1961, a revista Manchete propôs o seguinte desafio à compositora:Fazer uma autoentrevista na qual ela se comprometeu a responder todas as perguntas.
Autoentrevista que comprova toda a sua originalidade.







Você é masoquista?
Às vezes. Considero masoquismo aturar sem queixas uma porção de pessoas. Detesto gente burra e vivo me encontrando com elas.
Se é só este o seu masoquismo, por que você vive atritando fitas de papel com os dedos, até fazê-los sangrar?
Até sangrar é exagero. Tenho este hábito desde menina. Acho que é uma preparação inconsciente para enfrentar as dores que o destino sempre me reserva. Dor física, aliás, jamais me fez medo. Tenho medo apenas do que não depende de mim: amar e não ser amada, por exemplo.
Seu êxito dependeu apenas de seu talento?
Já fiz muitas concessões para obter sucesso e hoje estou profundamente arrependida. Agora não há fabricante de discos que me faça gravar o que eu não sinta.
Caso fosse possível você deixaria de cantar imediatamente?
Não, para a gente deixar de fazer qualquer coisa que nos afirme é preciso substituí-la, sempre, por algo melhor. Para mim, a única coisa melhor do que cantar seria… cantar só para quem eu amasse.
Eu sei que você não “ama” seu atual publico no Copacabana. Mas pelo menos gosta dele?
Por enquanto, não. Grã-fino, geralmente, não gosta de musica e muito menos de artista brasileiro.
É por isso que você bebe minutos antes de cantar?
A bebida é a bengala de um velhinho que mora em minha personalidade. Mas tenho certeza de que uma criança que existia em mim, antes de tantas coisas acontecerem, um dia voltará. Só então saberei quem sou.
Você se sente sozinha? Tem medo de ficar sozinha?
Pavor. Quando estou só, tenho certeza de que sou maior do que eu mesma e isto me apavora. Ninguém deve conhecer a sua própria dimensão.
Você já tentou se matar algumas vezes. Em qual delas foi sincera?
Em todas. Mas em nenhuma eu quis morrer imediatamente. Por isso morria pouco. Só uma coisa me faria morrer até o fim: o amor.




"Quando estou só, tenho certeza de que sou maior do que eu mesma e isto me
apavora. Ninguém deve conhecer a sua própria dimensão."
Maysa Matarazzo





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